POLÍCIA CIVIL
Paralisação termina amanhã
ESTRUTURAL
Negociações não avançam e categoria voltará ao trabalho após 12 dias de greve
Marina Marquez
A greve da Polícia Civil do Distrito Federal acaba amanhã, às 8h. Apesar de não conseguirem avançar nas negociações com o Governo Federal, os policiais voltam ao trabalho no próximo sábado, já que acaba hoje o prazo para reajustes de servidores públicos. Na tarde de ontem, além de votar pelo fim o movimento no sábado, os policiais também decidiram que logo após as eleições de outubro vão iniciar uma nova paralisação. A expectativa dos policiais era grande para a reunião entre o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Na manhã de ontem, o ministro levou a proposta do GDF, acordada entre o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol- DF) e o governador do DF, Rogério Rosso, de reajustes a partir de 28% a 33% para os servidores da Secretaria de Segurança Pública a partir de janeiro de 2011. No entanto, após o encontro, o ministro se manifestou apenas por documento. Paulo Bernardo mandou um e-mail ao deputado Laerte Bessa, responsável pelas negociações, afirmando que "qualquer negociação só ocorreria após as próximas eleições, com consulta ao candidato ou candidata vencedora em outubro". No e-mail, o ministro do Planejamento alega que a decisão do Governo Federal é para manter o nível de responsabilidade fiscal adotado ao longo dos últimos sete anos. "Não enviaremos ao Congresso nenhuma medida de reestruturação de carreiras, evitando assim o aumento das despesas com pessoal no fim de mandato". PROTESTO VÁLIDO Para o presidente licenciado do Sinpol-DF, Wellington Luiz Souza, apesar da indignação do desfecho, o movimento foi válido e essa trégua é só até as eleições. "Vamos parar, mas o movimento já mostrou que é forte e estamos dispostos a lutar até o fim. Não achamos justo dizer que o dinheiro que nos paga é federal quando não é. Somos funcionários do GDF e o próprio governador entendeu nossa questão e propôs o acordo", afirma. O acordo a que se refere o presidente do sindicato foi feito no início da semana. Em reunião com o secretário de Governo do DF, Geraldo Lourenço, o ministro do Planejamento e representantes do sindicato, Rosso chegou a uma proposta que reajustaria o salário dos policiais em dois anos, com um percentual a partir de 28%, dependendo da classe. A proposta para valer, no entanto, precisa ser enviada ao Congresso Nacional e aprovada. "Percebemos que essa proposta e reunião com o Governo Federal foi só para adiar ainda mais, ganhar tempo. Mas o documento continua valendo e logo “após as eleições vamos parar novamente e exigir que seja encaminhada a proposta”, diz Wellington. Os policiais ficaram, no total, 12 dias em greve. Durante o período, uma determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) estabeleceu multa diária de R$ 100 mil, revista na última quarta-feira pelo desembargador Natanael Caetano. Após analisar documentos dos policiais civis durante a paralisação, ele voltou atrás e decidiu pela legitimidade da greve e paralisação parcial. Na tarde de ontem, os policiais também marcaram, para um dia após a eleição de outubro, uma nova assembléia, já com indicativo de greve.
SAIBA +
Durante os 12 dias de greve, cerca de 1,8 mil ocorrências foram registradas. O documento do TRT que retirou a multa também constatou que a condição dos presos, inquéritos dos réus condenados em tramitação e os flagrantes não foram prejudicados. Caso não haja segundo turno nas eleições, os policiais devem cruzar os braços novamente em 7 de outubro.
Fonte Jornal de Brasília 02.07.2010
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